PROFESSORES “BURAQUENTOS”

Por: Evandro Faustino - 03/11/2020

“Buraquento” é um neologismo criado por uma jovem educadora que conheço. Ela explica em que sentido emprega esse novo adjetivo: “Eu comparo todas as possibilidades do fazer humano a um campo imenso, quase infinito, onde há miríades de coisas boas e belas que podem ser feitas. Mas como esse é o campo do possível, também existem, aqui e ali, alguns buracos, que são as possibilidades de fazer o mal.  Todo mundo os conhece pois que estão há séculos claramente demarcados pela moral, que os cercou de avisos: “Perigo! Buraco nefasto!” 

 

E a jovem educadora continua: 

 

“Podemos caminhar pelo campo, vendo e fazendo infinitas coisas boas, sem nos preocupar com os buracos. Mas o que muitas pessoas fazem é na verdade passar a vida toda rodeando os buracos e apontando para seus perigos, sem nunca levantar a cabeça e ver quanta coisa boa se pode fazer. Não se preocupam em fazer o bem, mas apenas em evitar o mal. Vivem a vida toda rodeando o abismo e frequentemente caem lá dentro. Olham para algo, ou para alguém, buscando unicamente seus defeitos. São os buraquentos”.

 

Há “buraquentos” de todas as idades, e em todas as profissões. Com o risco de parecer “buraquento” também, peço licença para mostrar uma forma de como esse vezo se manifesta no campo da educação, mais precisamente no ensino fundamental e médio: 

 

Em todos os programas de ensino se afirma que “o objetivo da educação é formar cidadãos conscientes, desenvolver o espírito crítico”, etc. e tal. Mas entremos numa sala de professores, em dia de conselho de classe. Em redor da mesa imensa sentam-se os mestres. Para muitos, esse é o dia da desforra. Um a um os alunos são nomeados, e vistos apenas em seus aspectos negativos. Todas as faltas e mazelas, até as de bem pouca importância, são apontadas, dissecadas, esmiuçadas: este é indisciplinado, aquele é preguiçoso, aquele outro é irrequieto, Fulano fala demais, Ciclano fala de menos, etc. Uma lente é posta sobre cada defeito, e clama-se por mais firmeza, disciplina, punição. Tem-se a impressão de um tribunal, e não de um conselho de educadores. Mal se apercebem os mestres que se todos aqueles defeitos forem corrigidos, e nenhuma virtude for estimulada, teremos apenas um grupo de alunos adestrados, bonzinhos, anódinos, comportadinhos, passivos, mas sem personalidade ou garra para fazer por iniciativa própria algo de bom. Como ideal educativo, é realmente muito pouco...

Fonte: Evandro Faustino , Colégio Caminhos e Colinas.

1/1

contato@caminhosecolinas.com.br

Tel: +55 (11) 3427-7730

Rua José Vieira Martins, 270

Pedreira, São Paulo - SP - Brasil

CEP: 04466-025

Como atuamos

Institucional

instagram-logo.png

Unidades

Logo Caminhos Vertical Verde - BRANCO.pn
Logo Colinas Vertical Laranja (Branco).p